12/05/2004 11:27

Antes fosse “mé” 2


Pra quem ainda não sabe, o jornalista do The New York Times que fez a matéria sobre o tal alcoolismo de Lula, teve hoje seu visto de trabalho no Brasil suspenso pelo governo brasileiro.

Não tenho palavras para descrever o nojo que sinto de tal atitude. Somente durante o governo militar no Brasil tivemos este tipo de ação sendo tomada contra a imprensa. Isso fere a Constituição, fere o direito de liberdade de expressão e ofende a nação inteira, que, com certeza, não quer ter de volta qualquer espécie de repressão. Eu teria concordado plenamente com um processo contra o jornal por calúnia e difamação, sem dúvida. Mas expulsar um jornalista de um país porque ele falou mal do presidente, só me deixa dois pensamentos: 1) a carapuça serviu, é tudo verdade e o presidente sentiu-se nu diante da opinião pública. 2) estamos diante de uma democracia falsa, na qual só vale o que o nosso “reizinho barbudo” disser ou aprovar.

Então, como forma pessoal de protesto, aqui vão, como prometido, alguns trechos da reportagem que rendeu ao jornalista Larry Rohter a suspensão do visto.

“O senhor Da Silva, ex-operário de 58 anos, tem-se mostrado um homem impulsivo e de fortes apetites, o que contribui para seu apelo popular. Com um misto de simpatia e diversão, os brasileiros têm acompanhado seus esforços de não fumar em público, seus flertes com atrizes atraentes em eventos públicos, e sua contínua batalha para evitar alimentos gordurosos, que fizeram seu peso disparar desde que assumiu o cargo em janeiro de 2003”.

“Além do senhor Brizola, outros líderes políticos e membros da imprensa igualmente parecem preferir apenas insinuar e num tom de brincadeira. Sempre que possível, a imprensa brasileira publica fotos do presidente com os olhos turvos ou com o rosto inchado, constantemente fazendo referência tanto aos churrascos na Granja do Torto, nos quais a bebida corre solta, quanto aos eventos oficiais, nos quais o senhor Da Silva parece jamais ter sido visto sem uma bebida na mão”.

“Eu tenho um conselho para Lula”, escreveu o colunista Diogo Marinardi, na edição de 1 de março da revista Veja. “Pare de beber em público”, ele aconselhou, acrescentando que o presidente havia se tornado “o maior garoto propaganda da indústria de bebidas alcoólicas”, com seu extremamente notório consumo de álcool”.

“Uma semana depois, a mesma revista publicou a carta de um leitor preocupado com o “alcoolismo de Lula” e seus efeitos em sua capacidade de governar. Apesar de alguns sites na Internet já estarem reclamando há meses de “nosso presidente alcoólatra”, esta foi a primeira vez que um órgão importante de mídia nacional se referiu ao senhor Da Silva desta forma”.

“Historicamente, os brasileiros têm motivo para se preocupar com sinais de muita bebida por parte de seus presidentes. Jânio Quadros, eleito em 1960, era um consumidor notório de álcool e certa vez disse “Bebo porque é líquido”. Sua renúncia inesperada, depois de menos de um ano de governo, iniciou um período de instabilidade que levou ao golpe de 1964 e a 20 anos de uma dura ditadura militar” – (nota: neste ponto, o jornalista esqueceu de mencionar a “mãozinha” dos americanos).

“(...) Quando o governo gastou 56 milhões no começo deste ano na compra de um novo avião presidencial, por exemplo, o colunista Cláudio Humberto patrocinou um concurso para dar um nome à nave. Um dos nomes vencedores sugeria que já que o avião do presidente dos EUA chama-se Força Aérea 1, o avião do senhor Da Silva deveria chamar-se Pirassununga 51, que é o nome da marca mais famosa de cachaça no país. Uma outra sugestão foi Movido a Álcool, num trocadilho referindo-se ao plano do governo em incentivar os uso de carros a álcool”.

Bom, entre outras coisas – incluindo depoimentos de Brizola (não boa fonte)- o jornalista narra gafes de Lula tanto no Brasil quanto no exterior e conta um episódio em que Lula, bêbado, teria saído do elevador num andar errado, pensando estar em casa e tentando entrar na casa de um vizinho.

Se é verdade, não sei e nem quero descobrir. Mas definitivamente não é motivo para nenhuma atitude reacionária e déspota como a que vimos hoje. Estou envergonhada.
enviada por giuliete






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